quarta-feira, 5 de maio de 2010

Paulo Machado e os morcegos

Essa aconteceu quando eu e o Chu fomos para um leilão do Novo Horizonte. Era um leilão com muito gado e no mês de julho e quando estava quase no fim, o tempo fechou. Não chovia mas o teto estava muito baixo. Quando perguntei para o Zé Mauro se conseguiríamos decolar ele respondeu que com aquela visibilidade nem tuiuiú. Íamos ter que dormir no leilão e com todos os que tinham ido de avião, que não eram poucos. Já imaginamos aquela noite de caos. Apesar de acostumados a dormir em rede, tinha o problema de excesso de gente. Eram umas 30 pessoas para serem acomodadas. Mas o que não tem remédio, remediado está, já dizia meu pai.

O responsável pelo leilão era o Paulo Machado Borges, um pecuarista, empresário e um dos grandes presidentes que o nosso sindicato rural teve. Era o nosso anfitrião e após o jantar com todo mundo reunido começaram a conversas. Ele era um grande contador de causos. Tinha mania de colocar números em tudo. O que ele não sabia era que eu e o Chu também tínhamos as nossas manias. Somávamos os números com grande facilidade. Então ele começou. Teve um surto de raiva na fazenda Machado de Ouro e ele saiu a caça dos morcegos. Achou primeiro um oco de pau, tocou fogo e depois contou: 320 morcegos mortos. Foi para uma gruta no pé do morro, achou outra casa deles, fogo de novo e foi mais 316. Numa loca num sei das quantas, outro fogo com mais 183. Num pau caído no meio da reserva matou 117 e por fim num sei mais onde acabou com exatamente 847 dando um total de 2322 morcegos mortos. Minha conta tinha dado 1783. No exato momento que ele deu o total eu olhei para o Chu que balançou a cabeça confirmando que a conta dele estava errada. Ficamos quietos até que o Paulo, na empolgação do caso, falou: podem somar os números e vocês vão ver que eu não estou mentindo. Foi quando o Chu, que era um chinês super controlado começou a ficar vermelho e as veias do seu pescoço começaram a engrossar. Vi que eu não ia se agüentar, a vontade de explodir em risos era irresistível, mas não podíamos fazer isso de jeito nenhum. Seria a maior das grosserias com nosso anfitrião. Foi quando o Mané, do Cartório, falou: isso não foi nada perto do dia que eu sai para limpar meus açudes que estavam infestados de jacaré. No primeiro eu tirei 135. A hora que ele deu o primeiro número eu e o Chu soltamos a risada e ficou como se fosse por conta de ele botar tanto jacaré para correr. Conversando depois com o Chu, confirmamos que o motivo das risadas é que tínhamos aberto nova contagem.

Só para não deixar ninguém curioso, dormi muito bem nessa noite. Não posso dizer o mesmo dos companheiros das redes ao lado da minha, porque falam que eu ronco um pouco.

Um comentário:

  1. O seu ronco é tão famoso quanto a minha surdez......
    Laura pode confirmar isso.

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