sexta-feira, 26 de março de 2010

Siesta no Angico

Era um dos passeios de que ele mais gostava, mas a bem da verdade em qualquer viagem que eu o colocava em uma estrada, ele ia feliz. Saíamos cedo para a Fazenda Angico. Nas passagens de porteira, deixava o carro em drive com o freio de mão puxado. Eu descia, abria a cancela e ele, soltando o freio de mão, atravessava o carro pra mim. Depois de muito tempo descobri que muitas vezes ele não queria ir para não deixar mamãe sozinha, mas lembrava que atravessar todas as 8 cancelas sozinho era cansativo, e então ia só para soltar o freio de mão.

Se o serviço fosse embarcar o gado gordo, ele ficava no carro contando as entradas de cada cabeça no caminhão boiadeiro, se tivesse uma máquina operando em um plantio, ele sempre tinha uma observação, e assim passávamos a manhã.

Na hora do almoço, sentávamos e comíamos como gente grande. Não tinha comida ruim para ele. Gostava do feijão do fogão a lenha, do doce caseiro, do cafezinho. Terminávamos e íamos para a varanda. As redes armadas em ganchos paralelos e independentes. Com uma corda amarrada no punho da rede dele, eu balançava a nós dois. Quando tinha muita mosca, ele colocava um lenço sobre o rosto e em menos de dois minutos estava dormindo profundamente e roncando. E como roncava. Era impossível dormir ao lado dele. Depois de trinta minutos a uma hora, eu levantava e levava um café pra ele e aí a conversa era sempre a mesma:

- E aí, dormiu ?

- Não consegui, eu respondia.

Em vez de perguntar porque não, ele dizia:

-Também não.

Roncava muito mas era um companheirão.

2 comentários:

  1. Engraçado mesmo achou quem ouviu essa conversa depois de ver os dois roncando por uma hora na rede!!!

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  2. rsrsrs..que bacana! meu pai fazia a mesma coisa..rs..não deixava ninguém dormir..rs
    adorei sua idéia Daniel, vou seguir!
    bjbjbjbj

    http://dicasephotos.blogspot.com

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