
O equipamento era para o departamento de manutenção da Mecânica e seu chefe era um japonês fora da curva, só que pra baixo, "burro" era elogio para ele. O semi pórtico é uma mistura de pórtico com ponte, ou seja, de um lado ele tem pernas e o trilho fica no chão e de outro o trilho é elevado e fica apoiado em uma viga de concreto quase no teto do prédio. Ele tem dois conjuntos de acionamento, motores e freios, um para as rodas de cima e outro para as debaixo. Na parada os freio de baixo, por problemas de montagem, não acionavam, só os de cima e o equipamento se torcia e balançava todo o prédio. O Choulian, na primeira freada do equipamento já viu o problema.
Chamou o japonês e disse:
- Quero saber em que você vai fazer manutenção, se o que é seu esta desse jeito. Você é muito ruim. Você só não derrubou tudo porque está muito bem projetado.
Quase dei um beijo nele, pois já estava pensando em mudar de ramo e ir vender bananas na feira. No dia seguinte, sanado o problema do japonês ruim, passei umas duas horas vendo o bichão operando e fiquei muito orgulhoso.
Estava me sentindo o máximo quando chegou o edital de concorrência para fabricar as pontes rolantes da casa de máquina de Paulo Affonso IV, da CHESF. Teriam capacidade de 450 toneladas e seriam as maiores do mundo. Iríamos participar da concorrência e, ganhando, eu, com minha vasta experiência nos cálculos de um pórtico de 10 toneladas, seria o calculista. Estava super ansioso para ganhar. Já tinha esquecido o susto do japa burro.
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