segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Disputa da jumenta


Em 1984, a Marinho Trading estava no auge da exportação para a Bolívia. Éramos representantes de grandes companhias e o Tontonio com papai vendiam pra cacete. Tínhamos dois caminhões Volkswagem de 16 toneladas de carga útil para trazer mercadorias de São Paulo. O movimento era tão bom que papai vendia a carga em trânsito. Nem chegava a descarregar nos nossos depósitos, regateava, ia direto para a fronteira e já entregava na Bolívia. Para isso, tínhamos dois motoristas, o Paulinho e o Paraíba. Os dois eram muito bons, mas não se davam muito bem. O "linho" do primeiro era pelo seu tamanho, 1m50 no máximo; e o apelido "Paraíba", de quem nunca soubemos o nome, era por causa de sua origem. Esse último era apaixonado pelo caminhão azul dele. A cabine parecia uma extensão de sua casa, com cortinas, São Jorge preso no retrovisor, adesivos decorativos no painel e quebra-sol. Não sei se a extensão era de sua casa ou de um bazar de pechincha, de tanto penduricalho que havia. A buzina, ele mandou trocar, e colocou uma de navio. O cara era muito engraçado, de um tanto que, uns cinco anos depois de ter saído da firma, o vimos em um programa humoristico do Silvio Santos.
Era juntado com uma negona que dava dois dele, tanto na altura como na largura, ou seja: no total, ela dava quatro dele, e era mais feia que cão chupando manga. E não se sabe por quê, talvez pelas viagens constantes, ele morria de ciúmes dela, principalmente com o Paulinho.
Numa dessas, Tontonio fazendo as programações de viagem, mandou ele voltar para São Paulo e o Paulinho ficar para ajudar nas entregas locais. Ele ficou meio relutante, pois sempre iam em dupla com o caminhão de um remontado sobre o do outro – mas aceitou na hora. Para voltar dez minutos depois, no maior bate boca com o Paulinho. Com os dois na sala do chefe, começou o diálogo que quase matou a gente de rir: primeiro com o Paraíba, respondendo a pergunta do Tontonio, de "que merda estava acontecendo":
– Paulinho quer que eu viaje para ele ficar sozinho aqui. Ele quer tomar a minha jumenta.
– Que porra de jumenta é essa, Paraíba?
– É a Leocádia, seu Zeantonio, minha mulher.
– Mas jumenta?
– É como chamo ela, carinhosamente.
O Zé resolveu envolver o Paulinho na conversa, e perguntou o que ele fez, que tem que respeitar o companheirismo e isso implica em suas mulheres. Aí a merda aconteceu, quando o Paulinho respondeu:
– Seu Zé, o senhor conhece a Leocádia?
Nem esperou pela negativa e completou:
– Aquilo é uma jumenta mesmo, e nem se eu tivesse achado meu pau no lixo eu colocaria ele ali.
A baixaria aumentou, pois o Paraíba ficou mais injuriado com a explicação de por que não do que ficaria se ele tivesse confirmado suas suspeitas.
Tivemos que chamar reforços para apartar os dois, o que acabou com a saída do Paraíba e a volta dele para sua terra natal. Levou a Jumenta junto.
Muito tempo depois descobrimos que o Paulinho realmente se perdia naquelas carnes e que ela o chamava de "meu burrico", e quem o conhecia sabia que não era pela sua pequena estatura.
Coisas da vida.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Suprimentos


A parte mais complicada da Ema é a de Suprimentos e Logística. Você tem que atender um monte de nego desorganizado, tudo é urgente, e o acesso a algumas fazendas não é fácil. Caminhão, lancha e trator. São dois transbordos e dois dias de viagem. Construção, então, pedra para virar concreto, lá não tem nem para jogar em louco, tem que sair daqui ensacada. Mas tive pessoas muito competentes atuando na área, como Suzana, Rosangela e agora a dupla Vitor-Quidinho. As principais características são honestidade, organização e persistência, que nesse caso é sinônimo de saco grande. Mas teve lances engraçados na área. Com a saída da Suzana, que já estava conosco há mais de dez anos e conhecia tudo e todos, a entrada da Rosangela foi meio traumática – para ela, no início. Ela estava acostumada com trabalho de banco, em que só conversava com nego de meia e sapato. Quando mudou o público para chinelo de dedo, ela estranhou muito. Não tinha um mês de firma, quando entrou em minha sala quase chorando e pedindo as contas. Motivo: seus subordinados não a respeitavam. Depois de muita insistência, pois eu queria as suas contas só com essa explicação, resolveu falar que o Seu Antunes tinha xingado ela. Mais cinco minutos de conversa para saber de que foi xingada, e ela, relutante em dizer aquelas palavras de baixo calão, falou: "de 'filha da puta'".
Na hora, eu disse que quem ia ser demitido era ele, que eu não admitia essa falta de respeito, como é que ele chega para seu chefe, e ainda mais uma senhora, e a chama desse nome, assim na cara!
Aí ela se assustou e disse que não foi na cara, foi por telefone.
– É a mesma coisa, você dá uma ordem para ele e ele fala, não vou fazer, sua filha da puta. Não tem cabimento.
Aí ela me corrigiu dizendo que não foi bem assim. Ela tinha dado uma ordem para ele carregar o caminhão, junto com o Vitor, e o Quidinho, antes de desligar totalmente o telefone, falou para o Vitor: 
– Vamos carregar a porra do caminhão... é, só nós dois... por quê? Por quê?... Porque a filha da puta quer.
Uma observação: Quidinho tinha 60 anos, e o Vitor perde no braço de ferro para um mosquito.
Com a história melhor contada e já conhecendo as peças, expliquei a ela que esse é o linguajar desse povo, e tinha que ser interpretado corretamente. Primeiro, ele não se dirigiu a ela, uma vez que ele achava que ela já tinha desligado a porra (colocada propositadamente na frase) do telefone. Segundo, o "filha da puta" foi para se antecipar ao que o Vitor ia falar, e mostrar a ele que ele já tinha tentado de tudo e o jeito era carregar a porra do caminhão. Ela se tranquilizou, eu acho, e voltou para sua sala. A conversa surtiu efeito e percebi isso quando estava em outra reunião com ela, quando atendeu o seu celular e fiquei escutando o papo. Foi mais ou menos assim:
– Fala, Quidinho.
– ....
– Porra, meu, manda ele se fuder. Nem a pau, só paga depois da entrega. Eu mesma que falei com esse veado. Tem até contrato escrito.
Desligou o telefone e, quando me viu, deu uma risadinha sem graça e falou:
– O senhor tinha razão. É a única linguagem que entendem. Já acostumei. 

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A coincidência


Para entenderem esta história recente, vou ter que contar alguns detalhes íntimos – mas não sórdidos – de meu concunhado Cauto. Ele é um dos grandes cagões que eu conheço, nível de meu falecido primo Zé Alberto e de meu irmão Tontonio. Para o primeiro, era só dizer que ele estava um pouco (não precisava nem ser muito) pálido, e ele te largava falando sozinho para ir ao médico. Tontonio ficou mais corajoso depois de velho, pois quando mais novo não entrava em um avião de jeito nenhum, dizia que voar era para passarinhos, e teve tempo que nem de carro ou ônibus ele andava. Só de trem – e isso aqui no Brasil, com essa rede ferroviária maravilhosa nossa. O Cauto é desse nível para mais, com a diferença de ser silencioso. É daqueles que sofre calado e só fala quando não tem mais jeito. Tomar injeção sozinho, por exemplo, nem amarrado. Mena tem que ir e segurar na mão dele. Se não tem Mena, qualquer um serve. Já teve Miraci, uma tia, que foi recrutada do balcão da farmácia, onde ela estava fazendo compras, e ele aloitando com o aplicador da injeção. Quando a viu, já chamou para ficar ao seu lado e de mãos dadas. De outra feita, estava com Beto em Campo Grande fazendo os exames anuais para seu brevê, quando chegou a hora da coleta de sangue. Segundo a peça, é pior que injeção pois tem agulha igual, mas é na veia, pior, e, ao invés de injetar, chupa – muito pior. Já tinha deixado passar uns dez na frente e já era o último da fila, quando teve que resolver se encarava ou abandonava a carreira de piloto para não ver aquele ferro entrando em suas carnes. Foi para o sacrifício e, quando saiu da sala de torturas, estava quase aos prantos e Beto teve que ampará-lo e dirigir seu carro direto para o hotel. Esse é o personagem principal de nossa história e, depois do acontecido, a coisa se confirmou: ele é mais rabudo do que cagão. Há menos de um ano, ele me cai com o avião, sozinho, e não sofre nenhum arranhão. Agora, há uma semana, foi para São Paulo acompanhar a esposa para um exame com o Dr.Antônio Carlos Lopes. Já falei dele aqui: melhor cardiologista de São Paulo, quiçá do Brasil e, se duvidar, do mundo. Seu consultório é dentro do Einstein, hospital que dispensa comentários. A consulta estava marcada há mais de dois meses. A coisa lá é de primeiro mundo. Em vez de ficar aguardando numa sala de espera, você já vai fazendo uns exames, uma tal de triagem, feita por enfermeiros, que vão medindo temperatura, pressão, eletrocardiograma etc, e ele acompanhando a Mena. Na hora da pressão, ele pediu para a medidora verificar a sua. Estava cismado. A mulher, sem questionar, bombou o homem, e só falou: "18x10". Saíram dali e foram para a sala da médica assistente para a segunda triagem. Ela examinou a Mena, que falou:
– Cauto está com pressão meio alta, 18x10. Não seria bom aproveitar e fazer um eletro nele?
Ela concordou na hora, e pôs o homem de volta para trás e a filação da consulta da esposa continuou. Fez o eletro, e ele mais quieto que guri cagado. Quando entregaram o exame para a assistente, ela virou para Mena e falou:
-Você está ótima. O Dr já viu seus exames e vou relatar o clínico para ele. Vai querer te ver só para dar boa tarde. Agora, o Cauto, ele vai querer examinar. Fica aí que vou chamá-lo. – Nessa hora, falam as más línguas, o homem branqueou. O Antônio Carlos chegou com o exame na mão, nem olhou para Mena, e foi direto no Cauto. Depois de auscultá-lo, falou: 
– Mena, você está ótima. Agora, o homem aqui só sai depois de uma angioplastia e provavelmente com um stent. Está com uma artéria principal bem entupidinha.
Ele só balbuciou:
– Mas eu só pedi para medirem a minha pressão.
Ainda tentaram adiar a coiseira para uma semana, tinham um casamento e um monte de desculpas. Nenhuma colou. Cinco horas depois, o homem que se cagava todo para tirar um sanguinho, estava com um cateter no coração e tudo filmado em alta definição e, o pior, com ele acompanhando. Foi colocado um stent na artéria principal, como tinha previsto o doutor.
Nisso, em Corumbá, no domingo almoçamos o nosso tradicional churrasco e o pessoal comentando sobre o ocorrido. Um falou que ele era um cara de sorte, caiu com o avião e não aconteceu nada; outro, que ele tem sete vidas, pois descobriu o entupimento dentro do Einstein e no consultório do maior cardiologista, e estava lá só como acompanhante da mulher.
A pérola veio com Gustavo, meu cunhado. No meio dessa conversa toda, ele falou:
– O problema de Cauto é de surdez!
Todo mundo parou de falar e perguntaram quase em coro:
– Surdez? Por quê?
– Jesus tá chamando faz horas, e ele não escuta.
Humor negro do gordo.
Mas a chegada aqui foi com festa. Quando perguntavam para ele o que aconteceu, a resposta começava sempre do mesmo jeito:
– Eu só pedi para medirem a minha pressão.
Mas, realmente, não é fácil.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

93


Esta é a historia 293 e, quando chegou a de número 100, mudei a numeração para A01. A de hoje é, então, a B93. Esse número tem me acompanhado a vida toda. Vira e mexe, ele surge espontaneamente. Começou com a chapa do meu primeiro carro, o Cônsul 6-93, quando eu tinha 12 anos. Estava sucateado na garagem de casa e eu o reformei todo.
Fui para o arquidiocesano interno e toda a roupa tinha que ser numerada, e o número... 93.
No Cursinho Anglo Latino, era da turma 10.000, e o número...10.093.
Entrei na faculdade de engenharia Maua, em 1968, e era da turma 7000, e o número... 7.093. 
Dessa vez em diante, eu adotei o número, e toda vez que pudesse escolher, eu ia nele; mas, às vezes, espontaneamente, ele aparecia na minha vida. Como me apartei da família muito cedo, porque com 14 anos fui estudar sozinho em São Paulo, sempre tive um trauma com papai. Não sei por quê, mas todas as vezes que tocava o telefone de Corumbá, à minha procura, me vinha a ideia de que algo tinha acontecido com ele. 
Quando ele estava com uns 70 anos, apareceu um problema nas suas cordas vocais e, na hora, todo mundo achou que era um câncer – o que, na época, era uma condenação à morte. Nesse momento, me veio o 93 na cabeça e pensei: " ele não vai antes dos 93, de jeito nenhum". Dr. Moisés Amaral cuidou dele e era só um calo que, com 30 dias sem falar um "a", como ele contava, ficou bom. Não vou negar que quando ele fez 93 anos eu fiquei preocupado, quando aquele fato acontecido mais de vinte anos antes me voltou à memória. Ele estava já de bengalas australianas, daquelas que pega pelo pulso, a memória recente já estava dando uma rateada, mas de resto tudo 100%, igual a um guri novo, como ele também gostava de falar. No dia 7 de setembro, ele caiu e fraturou a cabeça do fêmur. Começou o nosso martírio. Foi operado em São Paulo e, num primeiro momento, tudo correu às mil maravilhas. Ele estava se recuperando muito bem quando, inexplicavelmente, teve um pequeno derrame que afetou somente, por incrível que pareça, exatamente a corda vocal, e isso complicou tudo. No dia 15 de março ele faleceu, com 93 anos. Hoje, 08 de junho, ele estaria fazendo 99 anos. Tem festa no céu, tenho certeza.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O Retorno


Fiquei um tempo sem fazer postagens novas. Culpa da minha filha e editora do blog. Com 38 anos, resolveu voltar a estudar. Um dos meus últimos post foi sobre o Antonio Raimundo, o único engenheiro e filósofo que conheço. Parece que isso causou inveja nela, e resolveu fazer psicologia para ser engenheira e psicóloga. Vai ser a única que conheço também. Tem que tomar cuidado para não ficar que nem um conhecido meu que era engenheiro civil e eletricista. Comentavam que como civil era um bom eletricista, e como eletricista, um bom civil – ou seja, não entendia nada de nada.
Mas tem as exceções e espero que ela seja uma delas.
Uns trinta anos atrás, em uma festa na casa de meu irmão, fui apresentado a um grande sujeito, professor Patusco, que dava aulas de matemática e computação na faculdade de Corumbá. Ficamos conversando e vendo que tínhamos muito em comum, pois ele era matemático. Como eu era calculista, começamos a conversa sobre a evolução da computação; quando, para minha surpresa, ele falou que também era músico.
– Mas, professor, o senhor usa os dois lados do cérebro, então. Já me falaram que as ciências exatas estão de um lado, esquerdo ou direito, não sei, e a parte artística de outro; e, normalmente, um se desenvolve mais do que o outro. Você é melhor em qual das duas partes? – perguntei.
Ele me olhou meio de esgueio e falou:
– Vou te confessar. Sou ruim nos dois, mas ninguém sabe.
– Para, professor, não precisa ser modesto comigo. O Zé já me falou que você é um excelente professor de matematica.
– Pois é, mas é uma técnica simples. Basta você falar só de música com os matemáticos e só de matemática com os músicos. Todos te acharão um gênio.
E deu risadas.
Cheguei a acreditar, mas com o tempo conheci melhor o Patusco e ele, realmente, é muito bom nas duas áreas. São aqueles sujeitos fora da curva. Espero que a Laura seja igual. Agora, se ela começar a conversar só de psicologia comigo e de engenharia com a Patty, é porque patuscou de vez. Vamos ver.
Mas para resolver o problema dos sem números de reclamações dizendo que eu não postava mais (depois da segunda eu perdi a conta) contrataram uma editora nova. Me sinto em tremenda desvantagem, pois ao inverso da Laura, essa editora nova me conhece desde que eu era criancinha, e eu nada sei dela. É como aqueles casamentos de antigamente, em que um já tinha visto o outro pelado e o outro não conhecia a pessoa nem de foto. Mas ela já fez uma editagem minha e gostei muito. Estou contente pois uns dois ou três sentiram a minha falta, inclusive o B. J. Patrussi. Vamos nessa.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Luva de pelica.


Tio Michel é da teoria de que o tapa mais doído é o primeiro, o dado de mão fechada, e bem dado. Já Mamãe sempre me falou que o mais eficiente é o dado com luva de pelica.
Hoje vejo que os dois tinham razão, dependendo da situação.
Uns quinze anos atrás, recebi uma planta de uma fazenda vizinha com um bilhete do proprietário propondo a venda da mesma, por um preço meio absurdo. O bilhete era mais ou menos assim:
"Preço de venda: R$ X.XXX,00 o ha. Não vendo por menos, não adianta insistir. Fone para contacto: xxxx-xxxx. EP." 
Bem delicado. Eu só o conhecia de nome e, assim mesmo, por causa de uma ocasião em que seu capataz, por ordem explícita dele, não permitiu que embarcássemos um gado em sua fazenda, que era a primeira com acesso por caminhão, no transporte para o frigorífico. Por motivos óbvios, vou tratá-lo aqui por EP, e sua fazenda por AAA.
Pode parecer que foi retaliação, mas não; por bagunça minha, mesmo, perdi a planta do homem. Ele a tinha deixado na portaria com a Regina, nossa recepcionista, que me entregou num momento em que eu estava preocupado com outra coisa e a coloquei sobre a mesa junto com trocentos outros papéis. Naquele dia, eu estava especialmente desorganizado. Uma semana depois, a Regina entrou na minha sala dizendo que o senhor EP estava na recepção e queria falar comigo. Lembrei da planta e, depois de revirar tudo, o que levou uns cinco minutos, vi que precisava de mais tempo para uma busca profunda. Pedi que ela falasse para ele passar mais tarde, pois no momento eu estava em uma reunião e não podia atendê-lo. Ela me ligou em seguida, dizendo que o homem ficou meio aborrecido e que voltaria à tarde. Baixei o escritório todo e não achei a porra da planta. À tarde, na primeira hora, voltou a Regina na minha sala dizendo que o homem estava lá.
– Putz, fala que eu não cheguei ainda. De repente ele desiste – falei.
– Acho que não, sr. Tadeu. Tentei aplicar o golpe dizendo que ia ver se o senhor já tinha chegado, e ele já meio brabo disse que vai te esperar.
– Dá um tempo então, de repente ele desiste. Não marcamos hora. Fala que eu chego depois das quatro.
Não gosto de fazer isso, mas às vezes não tem jeito. Esqueci do homem. Às quatro em ponto, a Regina entrou na minha sala, dizendo:
– Sr. Tadeu, atende o homem. Ele já tá muito puto. Mais um pouco, ele quebra a recepção.
Vi a gravidade da situação pelo "puto" da Regina. Ela não era de falar palavras como essa na minha frente. No começo, não vou negar, fiquei com um pouco de medo, e depois lembrei de Tio Michel. Se vier com violência, já dou uma porrada na cara e pronto. Minha sala tem uma parede e porta, tudo de blindex, que dão para uma área comum a todas as salas. Você vê a pessoa muito antes dela te ver. Fiquei olhando para a porta da recepção para ver o que me aguardava, quando apareceu o EP. Devia ter uns setenta anos, 1,5 metros de altura e 50 quilos. Filet de borboleta no último. Aí que fiquei mais preocupado ainda. O que fazer se esse cara partisse, ele, para cima de mim? Lembrei de Dona Julieta e da luva de pelica. Ele estava com sua esposa e já entrou na minha sala falando:
– Ou o senhor é moleque ou quer me fazer de um. Pode escolher qual das opções.
Neurastênico no ultimo, a porra do velho.
– Vamos entrar e sentar, sr. EP, e juntos vamos achar uma terceira opção. Não sei o porque desse aborrecimento todo do senhor. Se eu tivesse uma esposa bonita que nem a sua ia ficar contentinho o tempo todo. – Percebi que ela era muito vaidosa, pois às duas da tarde estava vestida e maquiada como se fosse a uma festa. A tática surtiu efeito e ela já puxou a cadeira dizendo:
– Epezinho, senta e se acalma, que você está sendo grosseiro com um gentleman.
Já passei a mão no telefone e pedi três cafés com água, já perguntando se preferiam um suco. Se aceitassem, ia ter que mandar fazer em casa, pois lá era só café e água mesmo. Esperei chegar o café e fui matutando o que falar para aquela fera. Ser sincero e dizer "nem sei onde é sua fazenda pois perdi a porra da planta"... o cara ia me bater. Quando estava nesse pensamento, ele me falou:
– Bom, diz aí o que o senhor resolveu, que não tenho o dia todo. Chega as duas horas que fiquei na sua recepção.
Tocou o gongo. Não tinha mais tempo para pensar.
– Bom, sr. EP, vou te dizer a verdade. O senhor pediu muito barato pelas terras e vai acabar desvalorizando a região toda. Mandei a sua planta para um amigo em Campo Grande, que queria comprar a minha. Não posso dizer o nome dele, mas pedi o dobro do que o senhor me pediu e, em um primeiro momento, ele não se assustou. Agora o senhor tem que ter calma. E tem outro interessado em Andradina. O senhor tem outra planta?
Precisava saber se a que eu tinha perdido era a única.
Para minha sorte, ele falou:
– Lógico que tenho. Você não acha que te mandaria o original.
Se ele fosse um bom observador, teria percebido o meu "UFA!".
Passei a fazenda dele para um corretor, amigo meu de Campo Grande, e uns meses depois ele voltou ao meu escritório, só que desta vez para me agradecer, dizendo que tinha vendido a fazenda graças a mim. Para minha surpresa, ele se desculpou e agradeceu novamente, e desta vez por não ter perdido a calma com sua indelicadeza, mas que ele chegou até a pensar que eu tinha perdido a sua primeira planta.
Só consegui responder:
– De jeito nenhum.
Mamãe também é uma sábia.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A Brasília verde.


Meu escritório da distribuidora de carnes Sabor 10 está em um prédio construído por Vovô Marinho em 1909. Ele comprou um terreno grande na rua 7 de setembro entre a Delamare e a 13 de junho, no centro da cidade, e construiu três casas, uma que foi a sua residência pela vida toda, e outras duas, para aluguel. Hoje está na parte histórica e tombada da cidade. Ficaram para tia Dirce e, com a ida de Emilinha, sua filha que morava lá, para o Rio, resolveram vender e não queriam que fosse para mãos de estranhos – eu e meu irmão acabamos comprando. Transformei em quatro e já restauramos três delas. As outras duas estão alugadas, uma para a Sandra, fisioterapeuta e que tem uma academia de Pilates, e a outra para a Paty, minha nora, que tem uma empresa de recursos humanos. Ficou um lugar muito legal.
A peculiaridade está na rua que tem o grade muito acentuado. O estacionamento é permitido e na diagonal. Nossa vizinha de frente é uma senhora idosa e tem uma Brasília igual. Não sei pela idade de quem, mas toda vez que vamos estacionar, a preocupação é ficar longe e fora do alcance das duas. Algumas semanas atrás, na hora da minha aula de Pilates, veio a notícia: a velha da Brasília morreu. Ficamos tristes, eu e a Sandra, mas tudo tem o seu lado bom, até na morte. Não corríamos mais o risco de ser abalroados. Já tinha até esquecido do fato, tinha acabado de estacionar meu carro e, na saída dele, percebo alguém vindo devagarinho mas com a rotação no máximo, para estacionar ao meu lado. Quando vi que era a Brasília verde, procurei rapidamente o motorista e lá estava ela, vivinha da silva. Além da rua ter uma caída muito grande para a guia, esta última é muito alta. Do jeito que ela vinha, devagarinho e acelerando, achei que ela queria dar ré e não tinha percebido que a marcha não tinha entrado. Quando ela estava para bater na guia, num ato de puro reflexo, coloquei as duas mãos sobre o capô do carro e forcei para ver se conseguia pará-lo. Assim que encostei a mão, ela deu uma puta freada e já gritou comigo:
– O que o senhor está fazendo? – O carro continuava acelerado.
– Onde a senhora vai? Não tá conseguindo engatar a ré – Consegui responder, com a maior gentileza possível.
– Estacionar aí, ué! Engatar ré para quê? – Já percebi uma certa neurastenia na velha. Barbeira e neurastênica.
– E precisa acelerar desse jeito? A senhora está para bater no meio-fio. Se não bater agora, vai bater na saída.
Nem me agradeceu, parou ali mesmo e foi conferir para ver se eu não estava exagerando. Como estava muito perto mesmo, olhou para mim com um sorriso maroto e, enquanto eu esperava pelas suas desculpas, ela falou:
– Mania que vocês homens têm de achar que toda mulher é barbeira. Tá muito bem estacionado.
Dei um "boa tarde" e quase um "bem-vinda ao mundo dos vivos" e entrei. Esperei alguns segundos e voltei para tirar o meu carro do lado do dela. Estacionei a uns seis metros de distância e com um framboaiam entre eles. Por via das dúvidas.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

A lei e a lógica.


Lógica devia ser uma coisa de lei, obrigatória. Fora isso, de acordo com o grau de distorção, viria a classificação, de contravenção a crime de primeiro grau, ou mesmo hediondo. Proibiram o comércio de drogas e tem lógica. O drogado põe em risco a vida dos outros. Lutaram para proibir o cigarro e o que conseguiram foi sobre o fumante passivo, ou seja, faça o que quiser com a sua saúde, desde que não prejudique a do próximo. Tem lógica.
Já o cinto de segurança, eu não entendo. Como posso prejudicar alguém se eu não estiver usando o meu? Já tinha essa cisma e, para completar, outro dia estava parado no sinaleiro quando encostou um guarda ao meu lado, de motocicleta, e me mandou estacionar. Sacou seu talão de multas e começou a fazer uma. Quando perguntei o motivo, ele respondeu, sem nem me olhar:
– Dirigir sem cinto de segurança.
Não consegui ficar quieto, e falei:
– Mas, companheiro, cadê o seu?
Aí ele resolveu me olhar, e perguntou se eu queria gozar com ele. Tive até vontade de responder que foi ele quem começou, mas sou respeitador da lei e ele, ali, era um representante dela. Mas respondi:
– Claro que não, seu guarda, mas analise a situação em que nós dois nos encontramos. Estou dentro de uma Pajero com Air Bag em tudo quanto é lado, célula de deformação progressiva para absorção de impacto frontal, barra de segurança nas portas para impacto lateral, protetor de cabeça para prevenir choques pela traseira, vidro laminado anti estilhaço e o que mais o senhor pensar que existe para me proteger. Já o senhor está aí em seu magnífico cavalo mecânico, e o único ítem de proteção é esse seu capacete de plástico que, se descuidar, é made em China. Não acha que alguma coisa está errada?
Por incrível que pareça, ele parou de fazer a multa e olhou para dentro do capacete, procurando sua origem. Devia ser chinês mesmo, pois eu não imaginava que seria tão convincente assim. Fiquei pasmo quando ele desistiu da multa e até em dúvida se ele procedeu corretamente. A lei de um lado e a lógica de outro. Complicado, né? Depois disso, acho que deveria ser proibida a propaganda de moto, que nem do cigarro. Quer usar, use, quer se matar em troca de um arzinho fresco na cara, se mate – agora, tem que ser consciente. As propagandas deviam ser do tipo:
"Você sabia que o corpo humano tem 208 ossos, e que numa queda de sua magnífica 125 você pode quebrá-los?"
"Você sabia que sua caixa craniana tem a mesma resistência de um coco maduro da baía, e o seu capacete não vai protegê-lo se bater na quina de um meio-fio, e seu cérebro vai se espalhar pelo asfalto?"
"Você sabia que o número de acidentes fatais com motos é maior do que o com automóveis, mesmo sendo o número deste último dez vezes maior que o do primeiro?"
"Você sabia que, por mais cuidadoso que você seja, você está dando exemplos para seu filho, que vai querer uma moto também e não será tão cauteloso, tendo vinte anos a menos do que você?"
Mas sou coerente, ou lógico: sou contra proibir a venda de motos, uma vez que a pessoa está colocando apenas o que é dela em risco.
Agora, cinto de segurança... apesar de eu usar constantemente, obrigar o sujeito a usar isso, para mim, é violação da liberdade individual.
Já discuti com muita gente entendida e já escutei, como principal argumento, o quanto o governo gasta com acidentes de carros. Se formos por esse lado, deveria ter multa para quem andar sem agasalho em dia de frio. O veado vai pegar uma gripe, vai ficar sem trabalhar, vai ocupar fila no posto de saúde, etc, etc. Para multa do sem cinto, tinha que ter a do sem casaco também. E olha que a gama de coisas que viria junto com essas seria enorme.
É fácil?

segunda-feira, 30 de julho de 2012

A Senha

Outro dia postei sobre as invenções simples do passado e sobre como quem viveu antes delas é que dá a importância merecida. São coisas simples que não entendemos como foi que demoraram tanto tempo para serem descobertas. A campainha, por exemplo. Antigamente, eram aquelas peças que te ajudavam a bater na porta para não machucar o nó dos dedos, e nas casas com recuo e grades na frente, como a de papai, tinha que ser na palma. A campainha já foi um grande avanço. Logo no seu início, no fim dos anos 50, lembro que, na saída do matinê, ia apertando a de todas as casas e corria. Grande pentelhação. Um dos primeiros interfones instalados em Corumbá foi na casa de meu irmão. Daqueles que você atendia e era um chiado só. Só depois, muito depois, vieram os com câmera de vídeo. Mas fui apresentado a esse comum pelo meu irmão. Todo orgulhoso, apertou a campainha e a empregada perguntou lá de dentro, como treinada:
– Quem é?
Ele olhou sorridente para mim e respondeu:

– José Antônio.
– Quem?
– JOSÉ ANTÔNIO – Já meio chateado e num tom alguns decibéis mais alto.
Quando veio o "QUEIIIM?" de novo, ele já perdeu as estribeiras e falou:
– JOSÉ ANTÔNIO, PORRA.
Aí, acionaram o comando à distância e abriram o portão.
Daí pra frente, qualquer um que apertasse aquele botãozinho e falasse "qualquermerda, PORRA" – a porta se abria. Virou senha.
Mas em uma pequena coisa dá para imaginar como foi a evolução. Hoje uma casa sem porteiro eletrônico é algo impensável. Tá certo que eu reformei as casas de tia Dirce e me esqueci da campainha. Estou procurando um batedor de ferro para instalar lá. Vai ficar por conta de coisas de antigamente. A casa tem mais de cem anos e vai ficar compatível. Vou ver se acho aquele punho fechado de ferro fundido que articulava e batia em outra peça de ferro fixa na porta. Se não achar, vou projetar uma. Vai ficar muito chique. Em vez de DIM DOM, vai ser o antigo TOC TOC. Se quiser ver quem é antes de abrir, olho mágico, que foi outra grande invenção. Vai ficar muito legal e "RETRÔ", que é nome novo para antiga burrice.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Mão na Bunda

Não tem coisa pior do que passarem a mão na bunda da garota que está com você, na sua frente. Na primeira vez que isso aconteceu, por volta de 1968, enchi o gajo de porrada, e olha que ele bateu com o chapéu, era namorada e em pleno carnaval.
Na segunda vez, o cara encheu a mão, era minha esposa e eu tive que agradecer – mas explico.
Estávamos em Santa Cruz, Bolívia, acompanhando o Till Sculuter, presidente da Osram, numa visita ao mercado. Já escrevi desta ida na história de 22.08.11 (cara, já vai fazer um ano). Na preparação da expedição, o alemão quis fazer a viagem de trem, e quando informamos que existia dois tipos, a litorina, que era mais tranquila, e o trem da morte (o nome dispensa maiores explicações), o veado pediu para comprar as passagens de ida na litorina e de volta no trem da morte, isso para irem se acostumando.

Como a mulher dele quase morreu na ida, ao ficar 18 horas sem urinar, de lá eles pegaram um avião direto para São Paulo, e nós, Bea, meu primo Ivan, sua esposa Miriam e eu, voltamos no trem da morte. Na saída, foi quando tudo aconteceu. A plataforma de embarque estava tão cheia que não conseguíamos chegar perto do trem. Abrindo caminho de qualquer jeito, carregando as malas na cabeça, conseguimos chegar ao lado do nosso vagão, mas a porta era inacessível. Escalei a janela, como todo mundo, e fui pegando as malas que eles me passavam. Dei a mão para Ivan e o recolhi pela janela. O mesmo com Miriam, mas quando chegou a vez de Bea, a múmia ria tanto que não conseguiu ajudar. O trem começou a andar e o nosso representante, Rafael Rocca, não teve dúvidas: meteu-lhe a mão na bunda e a empurrou para cima. Quando olhei para ele para agradecer, ele me pediu "perdón", dizendo que não achou um jeito mais digno. Fazer o quê, né!

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Nhogonça


Nós temos muitas expressões e palavras regionais, umas vindo do castelhano devido ao fato de estarmos na fronteira com a Bolívia, e outras de difícil definição da sua origem. "Vôte", para algo muito ruim, e "vixe", para algo inacreditável, são de origem espanhola e motivo de muita gozação quando usadas fora daqui. Sempre ouvi e falei que coisa muito antiga era da época do "Nhogonça", sem nem desconfiar do que se tratava. Outro dia encontrei a dona Neta, uma senhora por demais simpática, cliente da nossa Casa de Carne da Delamare, e fui elogiar a sua disposição. Quando, indiscretamente (acho que é uma das minhas características), perguntei a sua idade, ela me falou que passava dos 80. Vi que a falta de precisão era para ocultar parte da verdade. Para ser gentil – e realmente ele é muito conservada – dei o famoso "não acredito!". Ela, muito espirituosa, me declamou uns versos, que fiz questão de tomar nota, e que transcrevo aqui:

O tempo passa depressa
Sem a gente persentí
Quando assusta já tá véio
Sem enxergá, nem ouví

Tropicando a cada passo
Num perigo de caí
Aí chega a veíce
E a gente começa a mentí.

– Muito legal, dona Neta. Não conhecia. Quem é o poeta?

– Nhogonça.

Na hora, percebi que Nhogonça era a abreviação de Senhor Gonçalves, alguém muito velho. Ela não soube me dizer quem era com exatidão, mas falou que era ligado ao pessoal dos Barros. Saí atrás e quem me esclareceu foi o Emilio de Barros. Ele era filho de Nhonho Fancho, apelido de Francisco Leite de Barros e Nhanha Antônia, Ana Antonia de Arruda Leite, que vêm a ser os bisavós do meu sogro, Antonio Pedro de Barros. O interessante é que o Nho Gonça tinha uma irmã, Custodia, e desconfiam que era ela a escritora e usava o apelido do irmão como pseudônimo.
Quem diria que eu descobriria um escritor desconhecido, da época do Nhogonça.
Mas essa foi fácil.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Timóteo Mujica


Uns meses atrás, me despedi de um grande amigo do passado, Luis Timóteo Mujica. Já falei dele aqui neste blog, da época em que eu namorava a sua irmã e ele paquerava a filha do almirante: um post com o título de "PequenasConfusões", em 17/10/11. Com 62 anos, um ataque cardíaco levou meu amigo dos velhos tempos. Mas essa é a vida depois dos 60, temos que ficar com as malas prontas e torcer para que a viagem para o outro lado seja de primeira classe. A dele foi: ataque fulminante, sem sofrimentos demorados. Mas o interessante aconteceu durante o velório, e agora, pouco tempo depois, entendo e acredito no que me falaram outro dia. Um fato que pensava ser do além foi a explicação da sincronicidade do universo. Essa coisa – gosma, como diz a minha filha psicóloga – de que todo mundo está ligado e faz parte de um grande e único movimento. Como um corpo que se desloca, formado de milhões de átomos em constantes movimentos brownianos, mas, no conjunto, se deslocando juntos e na mesma direção resultante. Mas vamos aos fatos. 
Eu devia ter uns 15 anos, estava estudando em São Paulo e nas primeiras férias aqui, fui com o Timóteo para a fazenda Passarinho Preto, de seu pai, na beira do rio Paraguai, e a uns 50 Km de Corumbá. Subíamos de barco e a viagem demorava algumas horas. Era daquelas lanchas de motor de popa e ele ia no motor e eu na proa, pegando vento na cara. Me lembro dele cantando a música "Ádios Muchachos". Ia com um chapelão de palha, barbela apertada para o vento não tomá-lo dele, e cantava bem alto. Estava feliz, pois era seu primeiro trabalho de responsabilidade. Não me lembro de ter escutado essa música novamente, mas ela me marcou, e eu vivia cantarolando o seu refrão. No seu velório, quando me aproximei para me despedir dele, de um bar perto de onde ele estava sendo velado veio, de uma maneira muito clara, a música. Na hora achei que era algo sobrenatural, tal a coincidência. Como não conhecia a letra por inteiro e só o seu refrão, pesquisei e achei; e de tão interessante, resolvi deixá-la registrada aqui.

ADIOS MUCHACHOS

Letra: Cesar Felipe Veldani
Música: Julio César Sanders


Adiós muchachos, compañeros de mi vida,
barra querida de aquellos tiempos.
Me toca a mí hoy emprender la retirada,
debo alejarme de mi buena muchachada.
Adiós muchachos. Ya me voy y me resigno...
Contra el destino nadie la talla...
Se terminaron para mí todas las farras,
mi cuerpo enfermo no resiste más...

Acuden a mi mente
recuerdos de otros tiempos,
de los bellos momentos
que antaño disfrute,
cerquita de mi madre,
santa viejita,
y de mi noviecita
que tanto idolatré.
Se acuerdan que era hermosa,
más bella que una diosa
y que, ebrio yo de amor,
le di mi corazón!
Mas el Señor, celoso
de sus encantos,
hundiéndome en el llanto,
me la llevó.

Es Dios el juez supremo.
No hay quien se le resista.
Ya estoy acostumbrado
su ley a respetar,
pues mi vida deshizo
con sus mandatos
llevándome a mi madre
y a mi novia también.
Dos lágrimas sinceras
derramo en mi partida
por la barra querida
que nunca me olvidó.
Y al darle, mis amigos,
el adiós postrero,
les doy con toda mi alma,
mi bendición.

Foi com esse fundo musical que me despedi do meu velho amigo.
Que Deus o tenha.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Exame de próstata.


O Dr. Domingos Albanese é um dos médicos mais conceituados de Corumbá, e essa aconteceu com ele. Para manter a confidencialidade da relação médico-paciente, ele me contou a história e pediu sigilo quanto ao nome do protagonista. Era um senhor de mais de 80 anos que foi consultar, reclamando que levantava muito à noite para urinar. Ele desconfiou logo da próstata e pediu que o velho tirasse a roupa e deitasse sobre a maca. O mesmo, acompanhado do filho, ficou meio relutante. Pelado ele só ficava na frente da dona dele. Não tinha intimidades com ninguém para ir expondo suas partes pundentes a quem quer que seja. Depois de muita conversa, e de todos saírem da sala, ele se colocou nu sob um lençol, e chamou os dois com um "tô pronto". O Domingos já se preparou para o que estava por vir. Quando começou a colocar a luva e passar vaselina no dedo, o véio deu a primeira refugada, mas só no olhar. Quando ele dobrou a perna e foi para o toque aí a coisa complicou. O véio baixou a perna rápido, e perguntou:
– Doutor, posso saber onde você vai com esse seu dedão engraxado?
– Vou te dar um toque, seu fulano.
Como o velho não parava, e o Dr. não conseguindo, parou e falou:
– Para dar o toque, seu fulano, o senhor tem que parar. Preciso acessar a sua próstata e para isso tenho que enfiar o dedo no seu anus.
Ele injuriou demais e, para segurá-lo na maca, foi um parto. Falou o filho, o médico e, aos poucos, conseguiram acalmar o mijador. Foram para a segunda tentativa e a rebolação para evitar a dedada continuou.
Quando o Domingos falou:
– Mas o senhor não vai parar?
– De jeito nenhum. Você pode até fazer o que nunca fizeram nesses meus 80 anos, de enfiar este seu dedo sujo no meu cu, com essa história de exame. Agora, paradinho, paradinho, não vou ficar jamais.
Foram para o ultra-som. Não iam conseguir fazer o toque. Deu displasia benigna, sem confirmação pela dedada. Como isso já foi há uns dez anos, e o homem continua firme e forte até hoje, conclue-se que o diagnóstico foi bem feito e sem tirarem a virgindade anal do homem.
Já comigo, não teve jeito, nem preliminares. Foi direto e já por duas vezes. A primeira aos 50, um médico da minha idade, que eu nunca tinha visto, e no vapt, vupt – quando assustei já não era mais o mesmo. Passei o dia todo meio jururu, mas satisfeito... com o resultado, pois o exame é mesmo meio humilhante. Já na segunda vez, já estava de brincadeiras, perguntando se não ia rolar uma champanhe primeiro. Quando o médico perguntou se era a minha primeira vez, respondi:
– Não, doutor, já sou puta velha.
Continua joia, graças a Deus.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

É mole?


Tem uma história que escutei de fonte fidedigna e que me fez lembrar da D. Isabel, minha professora de ioga dos anos 80. Ela falava que gostaria de registrar as últimas coisas que ela fosse fazer na vida, e com consciência disso. Enquanto todos falavam que gostariam de, por exemplo, morrer dormindo, ela falava que queria estar consciente de seu último suspiro. Pois bem, este senhor, quando estava nas vésperas de seus 90 anos, os seus amigos mais novos, beirando os 80, resolveram levá-lo para a zona, para ele dar sua última trepada. Ele já vinha se queixando que o esforço era tão grande, as dores nas costas após o coito tão fortes, que o custo beneficio já não estava valendo a pena. Tinha que ter uma última vez, para ficar na lembrança para sempre. Foi tudo muito bem preparado. Avisaram a dona do bordel para preparar a melhor e mais nova "menina" que tivesse. Tinha que ser jovem pois, segundo os sábios companheiros, para revolver velho precisa de bala nova, senão nega; e tinha que ter experiência e persistência pois, completando 90 anos, a empreitada ia ser difícil. No dia D foram para o desembarque na Normandia, que no caso era a Babilônia. O véio – vou omitir seu nome (mas para quem duvidar, pergunte ao Zé Mauro, nosso piloto, que ele confirma a história e se quiser fala até o nome do protagonista, mas assim em público vou declinar) – se preparou todo, banho tomado, perfume francês aprovado por todos e seguiu para sua derradeira. Chegando no prostíbulo, conheceu e se encantou com aquela companheira de sua última viagem pelo mundo do sexo. Após um papinho, foram pros finalmentes e daí em diante a história foi contada por ele e de boca em boca chegou até nós. Os dois na horizontal, ficaram naquela pegação... e quando ele engatilhava a arma, até conseguir subir por cima da menina, a coisa pifava. Ficou nesse chove e não molha por umas três vezes quando a menina resolveu inverter de posição, e falou:
– Seu fulano, fica ocê quietinho, que quando a coisa aí armar, eu vou por cima, que sou mais rápida.
– Tá bom, minha filha, afinal de contas a profissional aqui é você. Vamos experimentar.
E a próxima tentativa foi assim, a mocinha subiu no véio e tentou encaixar. Depois de muita luta, ela já desistindo, falou:
– Seu fulano, não tem jeito. A coisa num vai.
O véio deu uma levantada de cabeça e olhou a coiseira. Quando viu o companheiro dobrado e olhando pra ele, falou:
– Como que não vai, minha filha, se já tá até de vorta?
Continuaram na luta e, por incrível que pareça, quem me contou a história não soube me dizer se ele conseguiu ou não chegar ao fim.
Mas também não interessa, pois só a tentativa já foi inesquecível.
É mole? Bom, nesse caso, foi.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

IATF


Já falei um sem número de vezes do José Mauro neste blog. Mas é que, realmente, ele é um cara muito engraçado e de uma percepção que pouca gente tem. Acho que é uma característica dos pilotos desse nosso pantanal. O cara, para ser bom, tem que ter essa qualidade; pois para voar em um monotor (que, segundo Jô Soares, é um avião que já decola em pane) tem que se estar, a todo minuto, muito atento à sua posição, ao seu alcance em caso de pane, e à melhor alternativa para colocar a aeronave à salvo no solo. E ele já tem mais de 10.000 horas de voo. Mas estávamos comemorando o passar de mais um ano com um churrasco na EMA, com todos os funcionários, quando ele chegou atrasado, no fim da festa. Sentou na minha mesa e ficamos conversando sobre trabalho, para variar. Falamos sobre o resultado do IATF, inseminação artificial em tempo fixo, em que você sincroniza o cio de todas as vacas e insemina de lote. É uma beleza, pois os bezerros nascem todos juntos, facilitando a curação e todo o processo de recria, além de deixar o lote super homogêneo, pois são todos da mesma idade. Mudamos de assunto e falei que estava indo passar o fim de ano em São Paulo e meio dividido, pois não poderia levar mamãe, que não aguenta mais essas viagens. Seria a primeira vez que passaria a entrada de ano apartado dela, mas estava com duas noras parindo juntas em São Paulo, e os filhos estariam lá. Ele não tinha me cumprimentado ainda pelo fato de que eu ia completar treze netos com esse novo lote, quando veio a pérola:
– Com você é assim, heim? Pare tudo junto, vaca, nora. Fizeram IATF também?
Serviu para descontrair.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Filosofo engenheiro


Hoje conheci um cara que me deixou muito animado. Ele é professor dos meus filhos e noras num curso do MBA, o professor Antônio Raimundo dos Santos. O interessante é que ele é formado em filosofia e engenharia – uma mistura bem interessante e muito particular, pois eu achava, antes de conhecê-lo, que era até mesmo antagônica.
Ele conseguiu me convencer que, com o avanço da medicina, se nos mantivermos íntegros física e mentalmente por mais dez anos, vamos chegar aos 100 tranquilamente. E isso com cálculos de engenheiros, extrapolando os avanços da medicina com a engenharia genética, que estão sendo feitos em uma progressão geométrica. Quando perguntei quantos anos a mais, depois que chegasse aos 100, ele confirmou: "o céu é o limite". Achei dúbia a sua resposta, pois o céu poderia significar muitos anos mais ainda, assim como também o fim de tudo, para os bons, né? Confirmou que a vida eterna já não é mais uma utopia. Acreditei tanto que até desengavetei uns projetos pessoais de longo prazo, coisa para começar a dar resultados em uns 30 anos. Almoçamos juntos no sábado, em minha casa, e à noite jantamos no Terraço. Nunca imaginei que eu pudesse gostar de filosofia; ou melhor, de filosofar. Conversamos sobre tudo, ele me dava as explicações lógicas, e quando não conseguia, vinha com as filosóficas. Quando o alertei para o fato, ele me respondeu, com a maior tranquilidade, que ali estava a importância da filosofia – e me deu um exemplo inquestionável, a fé. Como explicar a fé de maneira lógica? Fé existe quando você acredita em uma coisa, e pronto. Qualquer coisa diferente disso deixa de ser fé. Gostei demais do Antonio Raimundo, e acho que a simpatia foi recíproca, pois já recebi um livro de sua autoria e de que estou gostando muito, cujo titulo é "Ética – Caminhos da realização humana". A dedicatória já é para te fazer pensar, e a transcrevo ipsis litteris: "Caro Tadeu. Diz Sto. Agostinho, o maior filosofo medieval / antigo 'Ama, et fac quo vis'".

Usando de meu latim do padre Ernesto e do Google, traduzi para "Ame e faça o que quiseres". Não é à toa que filosofia foi feita para pensadores e sábios. Uma pequena frase resumindo tanta coisa. Seu livro fala de moral, justiça e ética. Muito interessante ver como essas coisas se entrelaçam. Recomendo a leitura a todos, filósofos ou engenheiros. Muito legal.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

JK

Papai era amigo do Juscelino Kubitschek e se orgulhava muito disso. Tinha uma foto autografada dele em sua sala no escritório. A amizade começou quando ele veio a Corumbá para a campanha de seu sucessor, no inicio dos anos 60. Corumbá era uma pequena cidade e não tinha hotéis que pudessem garantir a segurança de um presidente da república. O chefe do partido pediu a papai a sua casa emprestada para acomodar o homem e seu ajudante de ordens direto, com a condição imposta pelo presidente de que os anfitriões não saíssem da casa. Era costume da época que os proprietários desocupassem seu imóvel para ceder aos políticos importantes de seu partido; mas, nesse caso, o chefe maior impôs a condição de não desalojar os proprietários. Até aqui tudo é verdade comprovada por qualquer antigo da cidade, pois no jardim da nossa casa ficou hasteada a bandeira nacional nos dias em que ele passou aqui. Já os ocorridos dentro de casa foram todos contados por papai – e hoje, mamãe, com 91 anos, confirma tudo, mas ela também nunca desmente ninguém. Vou passar as historias da forma como chegaram até mim. No primeiro almoço, a pedido do presidente, mamãe mandou servir frango a passarinho, daqueles bem sequinhos. No segundo pedaço, papai já nervoso de não poder pegar com as mãos e vendo metade do frango ir com os ossos, ele contava que o Juscelino percebeu a sua falta de jeito, virou para os demais da mesa e falou: "Frango a passarinho se come assim" – e usou os dedos, seguido por papai. No terceiro ou quarto prato, papai insistiu para que ele se servisse mais uma vez e, diante de sua recusa, argumentou:
– Presidente, pode comer pois o que sobrar vai pro lixo. A turma da cozinha já comeu antes.
Com esse argumento, ele partiu para mais um prato. Ele contava isso e jurava que era verdade – e eu acreditava. Punha dúvidas na história do banheiro, quando o presidente não respondeu à batida na porta com o tradicional "tem gente"; foi preciso usar a chave reserva para ver o que estava acontecendo e abrir a porta. Para surpresa de papai e do ajudante de ordens, lá estava o homem, sentado no vaso, dormindo. Papai jurava que foi a única pessoa que viu um presidente fazendo cocô. Nisso eu já não ponho muita fé, pois meu velho gostava de falar que "pode ser que eu aumente, mas não que invente". Mas por mais que eu apertasse, ele nunca abriu mão de dizer que viu o JK no trono.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Paris 2


Estávamos na França, no "Primtemps" – que é um dos maiores shoppings que conheço – e resolvemos comprar os perfumes das velhas. O bom é que todas usam o mesmo, "Ô de Lancome". É mãe, sogra, esposa... tudo um cheiro só.
Pegamos uma vendedora francesa, cujo espanhol era igual ao nosso francês: ninguém entendia ninguém. O nome do perfume foi o mais fácil. A quantidade, meio absurda para uma única marca, já teve que ser dita pelo dedo, ou seja, o "sanque" foi substituído pela mão aberta. Mas a pérola veio com Bea: quando a francesa mostrou o perfume e ela achou que aquele era o médio, falou:
– Nooo – com o característico sinal de cabeça e soletrando em seguida – Eu quéroô ô maaisss BIGER!
Para minha surpresa, a vendedora respondeu toda sorridente:
– Oui, compris, biger!
Voltou e foi pegar os vidros grandes. Olhei para Bea, que ainda teve a coragem de me falar:
– Já estou entendendo essa língua.
Não sei a qual língua ela se referia, mas quando a mulher voltou com os vidros grandes, tive que ficar quieto. Contra fatos não há argumentos, já dizia meu velho pai.
É a globalização.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Paris, Paris.

Fomos com Laura e Ze levar os netos para a Euro Disney. Nos hospedamos no Hotel Hollyday Inn em Notre Dame na Danton 4, no Bairro Saint German. Coração de Paris. Em uma semana, me sentia um parisiense, tá certo que totalmente perdido. Cada vez que tinha que voltar para o hotel, ou achava o Senna primeiro, ou tinha que perguntar como. Quem esta acostumado com Corumbá que é um tabuleiro de xadrez, com todas as ruas paralelas e na direção norte sul ou leste oeste, não vai se encontrar nunca num lugar daqueles, onde vc precisa de bússola, ou melhor ainda, um gps para você andar por lá. Laura tinha um no celular. Mas foi muito legal, principalmente os apuros com a língua e as coincidências.
Já na viagem daqui, na disputa dos lugares no avião, fui na fileira do meio com Rafael de um lado e Thiago do outro. Depois de umas 100 piadas, resolvemos dormir. Eles, porque eu fiquei de travesseiro dos dois. Mas antes, na janta, a aeromoça era uma coreana, estávamos viajando pela Singapura air lines, o inglês dela, mais o meu, adicionado a minha surdez, comi o que ela quis, pois fiquei com medo, de na nossa conversa, ela entender que não queria jantar. No final ela me perguntou se eu queria "iii". Quando disse "i what?", veio o chá e eu queria café. Apesar de ter que agüentar a gozação, dai para frente deixei o Rafael pedir por mim. Ele estava se virando muito melhor com seus ouvidos e seu inglês e eu não queria mais pedir porco e comer frango. Achei um absurdo uma companhia chic dessas, decolando do Brasil, não ter aeromoças que falem ou português ou espanhol. O inglês delas é para quem fez escola em Singapura. Isso serviu para me traumatizar definitivamente e em Paris só falávamos espanhol ou português, e ficamos impressionados com a quantidade de vendedores estudiosos da nossa língua. Preferíamos nos comunicar, com eles falando português e espanhol tudo errado do que nós assassinando o francês ou inglês. O lance engraçado aconteceu quando fui comprar meu barbeador Philips com limpeza automática. Era uma loja especializada da Philips, mas dessas pequenas. Tinha duas pessoas atendendo, um senhor de 50 anos, que devia ser o proprietário e um rapaz de 20. Na primeira pergunta de "Ablas espanhol ou Português", o rapaz, timidamente balançou a cabeça dizendo que sim, no começo, e depois com a mão, tocou pandeiro, indicando o mais ou menos na linguagem universal. Estávamos indo bem, com ele baixando todos os modelos da prateleira. Quando fechamos o negócio ele já estava bem mais solto com a língua, e nitidamente, gostando de mostrar ao seu chefe que conseguia atender a brasileiros e resolveu nos avisar que não poderíamos usar o aparelho ante de carregar a sua bateria por 8 horas. Foi aí que se deu a merda, literalmente. Ele se enrolou com um "chargar", e entendemos logo que ele estava afrancesando o "cargar" do espanhol. Foi quando o dono da loja resolveu mostrar seus profundos conhecimentos da língua espanhola e veio a seu socorro dizendo:

-Fulano, é cagar e não chargar, CAGAR, entendeu?

Virou para nós e socou um Pardon em francês. Não agüentei e disse ao rapaz que ele estava mais próximo da verdade que seu chefe. Realmente o chargar dele não era bom, mas bem melhor que o cagar do chefe. E para explicar o significado do cagar? Ficava meio de cócoras e com a mão fechada dava um soco meio para o lado. Como a coreografia não estava sendo bem entendida, tive que fazer a sonoplastia e descobri que todos fazem o mesmo barulho quando peidam. Entenderam na hora e foi uma risada só e o pardon dessa vez veio por outro motivo.

Igual a essa teve outras, mas com Bea. Fica para a próxima.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Márcio e Ju

Dr. Márcio é medico veterinário, especialista em melhoramento e o melhor na área, que eu conheço. Agora, é fanático. De um tanto que casou com uma médica veterinária também da área, só que de reprodução. Acho que foi a primeira condição que ele impôs para achar a companheira de sua vida. A segunda era que fosse mulher. Brincadeira, pois a Ju é muito linda e muito gente fina. O cara é de muita sorte. Mas estávamos juntos em casa num desses últimos domingos comendo uma picanha Sabor 10, quando e a conversa enveredou sobre eles encomendarem o primeiro filho. Eu, como um especialista no assunto, perguntei se eles sabiam como fazer para que viesse com o sexo desejado. Momentaneamente, tinha me esquecido de quem eram os dois. Meia hora depois de explicações de centrifugação, marcação e separação dos espermatozóides XX dos XY, complementados com estatísticas e probabilidades de dar certo ou não, eficácia dos métodos, média, desvio padrão e o escambau, que eu como engenheiro já não estava entendendo mais nada, disse:
- Pode parar, não tem nada disso não. Nada de inseminação com separação de espermatozóide. É na monta natural mesmo. É na ripa na chulipa. Foi aquele silêncio geral e a atenção foi redobrada.
Você, Márcio, só tem que fazer o seguinte, ficar em jejum por três dias e...
Ele me interrompeu e falou:
- Três dias, você tá com brincadeira.
Já ia elogiar o seu libido quando ele completou:
- Vou morrer de fome.
Aí que eu prestei atenção no meu velho amigo Márcio e percebi que ele devia estar uns 15 kg acima do peso e, depois de muita risada e gozação, completei:
- Jejum sexual Márcio. Três dias sem sexxxo. Pode comer de tudo.
Ele completou;
- Menos a Ju. Entendi.
Depois de muitas risadas, dei a dica a ele. A coisa dá tão certo que eu queria homens e consegui 3 para uma mulher e onze netos para duas netas. Vamos ver o que vai sair dali, mas se ele seguir o protocolo é tiro e queda.