– Quem é?
Ele olhou sorridente para mim e respondeu:

– Quem?
– JOSÉ ANTÔNIO – Já meio chateado e num tom alguns decibéis mais alto.
Quando veio o "QUEIIIM?" de novo, ele já perdeu as estribeiras e falou:
– JOSÉ ANTÔNIO, PORRA.
Aí, acionaram o comando à distância e abriram o portão.
Daí pra frente, qualquer um que apertasse aquele botãozinho e falasse "qualquermerda, PORRA" – a porta se abria. Virou senha.
Mas em uma pequena coisa dá para imaginar como foi a evolução. Hoje uma casa sem porteiro eletrônico é algo impensável. Tá certo que eu reformei as casas de tia Dirce e me esqueci da campainha. Estou procurando um batedor de ferro para instalar lá. Vai ficar por conta de coisas de antigamente. A casa tem mais de cem anos e vai ficar compatível. Vou ver se acho aquele punho fechado de ferro fundido que articulava e batia em outra peça de ferro fixa na porta. Se não achar, vou projetar uma. Vai ficar muito chique. Em vez de DIM DOM, vai ser o antigo TOC TOC. Se quiser ver quem é antes de abrir, olho mágico, que foi outra grande invenção. Vai ficar muito legal e "RETRÔ", que é nome novo para antiga burrice.
Nenhum comentário:
Postar um comentário